domingo, 10 de janeiro de 2010

Que Droga

Outro dia eu ia de ônibus para o trabalho quando entraram dois rapazes; enquanto um distribuía canetas e lapiseiras, o outro esbravejava lá da frente que é um ex-viciado em drogas, e que hoje está curado graças à instituição evangélica que o salvou daquele mundo. Agora, ele ajuda o trabalho da instituição, e vende as canetas para arrecadar fundos. Eu não comprei. Admito arrependimento por ser tão avarento. Mas é que além do meu típico mau-humor matinal e da cor extravagante da caneta que não me agradou, um pensamento frio e calculista me tomou a cabeça desde esse episódio. Logo irei explicar.
Toda quinzena eu junto meus cupons fiscais e coloco numa urna em frente à padaria que fica próxima de onde eu moro; as notinhas irão ajudar a associação das famílias dos deficientes auditivos da Bahia. Sei que é muito pouco o que faço, mas na minha mente fria e calculista, é melhor que comprar a caneta do ex-viciado no ônibus. Porque o surdo não tem culpa de ser surdo – ele nasceu ou ficou assim por causa de alguma doença; já o viciado, se drogou por livre e espontânea vontade, se divertiu com isso, e o tempo todo ele sabia o mal que estava fazendo a si mesmo. Posso ser um péssimo cristão negando ajuda aos necessitados; mas se tiver que eleger prioridades, o viciado vai ficar por último.
Falando em drogas, vamos ao paraíso delas. Não, não é a Holanda; é a cidade maravilhosa do Rio de Janeiro. Outro dia recebi do meu tio carioquíssimo um e-mail com a campanha “Eu ajudei a destruir o Rio”. O texto todo você encontra no Google, mas resumindo, fala do fim da década de 70, quando nas influentes rodas da sociedade, entre artistas e jornalistas, a cocaína entrou na moda, se tornando o maior barato. A campanha estimula que estes mesmos influentes, hoje cientes do seu erro, assumam e digam: “Eu ajudei a destruir o Rio”. Vale colar adesivo no vidro do carro ou escrever no Twitter.
Quem vai aderir? Poucos. Que efeito vai causar? Nenhum. Algo como no filme Tropa de Elite: Sucesso de audiência, recorde de vendas até entre os DVDs piratas, super assistido antes mesmo da estréia. Fica muito claro no filme, para a cabeça tola e dualista das grandes massas, quem é o “mocinho” e quem é o “bandido” da história toda. Fica bem claro que o dinheiro que o playboy dá numa carreirinha vai parar na bala do fuzil que estoura os miolos de uma universitária. Mas o que mudou depois disso? Nada. O que acontece quando um ator global vai parar numa clínica de desintoxicação? Todos ficam com peninha dele. Mandam mensagens de apoio e tudo mais. E quando ele se “recupera”, vai chorar na TV dizendo como foi difícil superar tudo aquilo, ao som de musiquinha triste, com platéia emocionada, imagens da carreira, e toda a encheção de linguiça que a tarde de domingo merece. Realmente, sou eu o avarento de coração gelado; não compro caneta no ônibus nem choro vendo a celebridade ex-drogada. Será que só eu o vejo como um criminoso? Sim, um criminoso, que por um longo período comprou e se utilizou de um produto ilegal, adquirido de contraventores, que irão aplicar aquele dinheiro para manter seu poder através da violência!
Vamos pensar assim: se algum famoso compra um mico-leão dourado ameaçado de extinção de um caçador malvado, depois cria ele por anos numa gaiola no seu apartamento na Barra; será que, quando descoberto, ele vai chorar dizendo que está arrependido e a platéia emocionada vai chorar com ele e aplaudir o feito? Ou será que todos irão atirar pedras, alegando violência contra os animais, colaboração com a extinção da espécie, o desmatamento da amazônia, o aquecimento global e tudo mais que se puder acusar?
Deixa eu ver se entendi direito: maltratar os bichinhos, não pode. Financiar um complexo sistema internacional de drogas e violência: ah, que peninha, ele não sabia o que estava fazendo. Não me entenda mal, não tenho nada contra a natureza; mas acho que tem alguma coisa errada com a cabeça desse Brasil.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Questão de ponto de vista

Bom, essa historinha não é de autoria minha. Também não sei quem inventou, mas é bem interessante. Resumindo, ilustra muito bem quão ridículas podem ser as opiniões formadas sobre um assunto do qual ninguém entende... Cinco cegos tatearam um elefante sem saber do que se tratava e, depois, disseram o que "viram". Cada um ficou com uma parte diferente do elefante: Um disse que era um tronco de uma árvore (perna) Outro disse que era uma parede meio rugosa (corpo) O terceiro viu um espanador de cabeça para baixo (cauda) Os outros dois juram que era uma tromba....

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Rapidinho

Pra onde foi a crise mundial? Acho que pegou gripe suína... Mas, e a gripe suína? Como bom porquinho, ganhou um emprego do tio Sarney e sumiu. E o ilustre Senador, por onde onda? Não interessa, Rubinho ganhou a corrida!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Viva o Profissionalismo

A propaganda de cerveja da qual não recordo o nome afirma que mestre cervejeiro não é aquele que fabrica a cerveja, mas quem bebe. Qualquer sujeito racional conclui daí que o bebum da budega da esquina pode dizer, com grande precisão, se houve algum erro na quantidade de malte, ou no tempo de fermentação do lote daquela cerveja que ele está tomando. Com certeza, o bebum até sabe o que é malte, afinal, ele é o "mestre cervejeiro".
Pois foi com um argumento muito semelhante que o Supremo Tribunal Federal – STF, que jornalista é aquele que escreve algum texto, com a nobre intenção de exercer sua liberdade de expressão, não quem passou anos se graduando numa faculdade buscando conhecimentos de Ensino Superior para exercer a (ex) profissão de jornalista. Aliás, buscando o lado bom da coisa (se é que existe), eu, um simples blogueiro, acabo de ser promovido: sou agora um jornalista! E este medíocre texto é uma notícia! Êêê! Olha que legal! Aposto que ninguém nunca tinha visto uma “notícia” com tantos pontos de exclamação, quiçá um “êêê”. Deve ser isso que chamam liberdade de expressão...
Na minha cabeça, nós vivemos numa época extraordinária, com uma incrível facilidade de acesso a informações. E por isso mesmo, achava que quem necessitasse de alguma forma sentir-se livre para expressar suas opiniões a seja lá que público fosse, podia a qualquer momento, gratuitamente, criar um blog. Eu até criei um pra mim! E também na minha cabeça (e pelo jeito só na minha cabeça mesmo) achei que jornal era uma coisa séria, onde eu podia encontrar informações verídicas, de forma clara e objetiva e, principalmente, imparciais: livres da opinião de quem as publicava, com o justo compromisso com a verdade.
Comecei a desconfiar que estava enganado quando soube por alguma notinha de rodapé que a validade do Diploma de Jornalismo estava para ser julgada e a grande mídia não dava a menor importância. Não muito mais tarde, vi uma capa da “conceituada” revista Veja com uma caveirinha e o título: “Loucos Atômicos”, sobre a Coréia do Norte. Nada mais imparcial. Por que dizer apenas: “Coréia do Norte faz testes com mísseis, deixando alertas Japão e Estados Unidos”, ou qualquer coisa parecida. Chama logo de Louco, ditador maluco comedor de criancinhas ou coisa parecida.
Comecei também a me sentir menos sozinho neste pensamento quando vi que a Petrobras, com seu quadro de comunicação constituído de Jornalistas e Publicitários formados (Graduação no mínimo) e inúmeros técnicos, todos concursados – não eleitos ou indicados – criou um blog onde coloca na íntegra a sua resposta aos meios de comunicação http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/. Acontece que os “jornais” com seus “jornalistas” entrevistavam a empresa e publicavam apenas partes da resposta da Petrobrás, plotando informações não condizentes com a realidade e trazendo prejuízos à imagem da empresa. O Globo foi o que mais reclamou desta “postura” da Petrobrás, que atacava a ética do jornalismo. Coincidentemente, o Globo foi um dos primeiros a se mostrar favorável à decisão do Supremo... Voltando a Veja, vi hoje ela dizendo que a decisão “livra o país de uma herança da ditadura”. (hein?) Tudo a ver mesmo, profissionalismo deve ter vindo da ditadura. Aliás, já está mais do que na hora de o Brasil se livrar de outras heranças malditas, como essa praga Romana chamada Direito! Quem é que precisa de leis afinal? E o que dizer da maldição Egípcia da Engenharia? Foi justamente ao não permitir a liberdade de expressão aos escravos construtores que o cartel de engenheiros sem criatividade insistiam na monótona forma de pirâmide que resultou num amontoado de blocos de pedras com uns milhares de anos de idade. Malditos ditadores faraônicos...
Mas aqui no Brasil, um país de tolos, essa decisão não surpreende. Desde quando o estudo vale alguma coisa? Aqui o Doutor (PhD) ganha menos que o analfabeto que joga bola; ex-BBB é profissão (qualquer dia tem até sindicato); pra ser atriz basta ter a bunda grande; pra ser vereador não precisa saber ler; e pra ser presidente, não precisa ser graduado, não precisa nem falar português direito... por que um jornalista ia querer um diploma?

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Evite Aborrecimentos

“Uso exclusivo do condomínio. Evite aborrecimentos.” Estes são os dizeres, em letras garrafais, existentes no portão de um prédio que freqüento. Para completar, existe pintado no asfalto um enorme retângulo amarelo com um X no meio. Qualquer pessoa habilitada a dirigir um automóvel (responsabilidade esta um tanto subestimada) deveria ser capaz de compreender toda esta sinalização: não pare na passagem dos veículos. Infelizmente, o problema não é compreender (ninguém pode ser tão burro), mas respeitar (sim, as pessoas são muito mal educadas); conseqüência: ninguém respeita esse sinal. Rotineiramente, chego ou saio deste prédio, e lá está um jovem, ou um senhor, ou uma mãe, em seus carros caros e empacados no meio da passagem. E com a torpe justificativa: “é só um minutinho”. E quando um minutinho dura uns cinco minutos, você se aborrece, dá sinal de luz, buzina, e a pessoa no carro sai dali com a cara mais feia do mundo, enraivecida, pensando: mas que sujeitinho apressado; que estresse! É interessante como funciona o dia a dia do trânsito, o julgamento egoísta que os motoristas fazem sobre o que é certo ou errado quando estão trancados em seus carros (o pequeno império, a fortaleza móvel de cada um que se sente rei atrás do volante). É muito simples: eu estou certo. Ponto. Os outros estão errados. Há um exemplo clássico: num cruzamento, a direita é livre, mas há um sinal para quem vai para a esquerda. Com o sinal, forma-se uma fila e, eu, melhor do que os outros, não posso esperar na fila! Sigo pela direita, onde o tráfego flui, e lá no cruzamento eu paro e espero o sinal abrir. E os trinta carros atrás de mim que querem ir para a direita? Esperem! Se eles buzinam, que povo estressado... Chato é quando você percebe que a falta de respeito e de civilidade, não é fruto da falta de acesso à educação. Basta ver as faixas amarelas que indicam onde formar uma fila para os caixas do banco. Tudo bem que muitas agências são freqüentadas por pessoas humildes, analfabetas, inocentes de sua ignorância. Mas vá à agência do Banco do Brasil dentro do Campus do Pici, da UFC; lá estão os futuros profissionais graduados, os mestres e até os doutores, numa enorme bagunça onde não se sabe onde é o começo nem o fim. Hoje pela manhã fui abastecer meu carro. Quem anda com GNV sabe o que encontra em todos os postos: fila. Lá estava eu, aguardando minha vez. O carro na minha frente já próximo de ir embora, chega uma Blazer do meu lado – passando também os que estavam atrás de mim – apontando a frente para o carro que ia sair. Irritei-me, de fato. Quando o outro saiu, avancei para seu lugar, antes que a tal Blazer pudesse ir. Depois que desliguei o carro e saí do veículo (como manda o protocolo que quase ninguém segue) vem o cara da Blazer – um senhor, bem aparentado – com uma sorriso amarelo e uma pergunta: - Precisava dessa agressividade? Respondi de imediato: - Sim, porque sou estressado; porque espero minha vez na fila, e não no meio do posto, com uma blazer enorme, impedindo a passagem de quem quer usar as bombas de álcool, ou gasolina, ou simplesmente já abastecerem e querem ir embora. O sujeito se calou e seguiu até uma bomba que ficou livre, alguns segundos depois. Uma pena. Pois foi nesse momento que cheguei a uma incrível conclusão, e não tive oportunidade de agradecer. Ele tinha acabado de me mostrar o jeito mais certo, menos estressante de fazer as coisas: não espere na fila, não respeite o sinal, não procure uma vaga que não esteja na frente do portão. Evite aborrecimentos. Cague pro mundo e não se aborreça.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Osmose Reversa

Hoje fui visitar um laboratório da Universidade federal do Ceará que pesquisa um sistema dessanilizador de água por osmose reversa alimentado a energia solar. Interessante? Apenas parcialmente; pois fiquei sabendo também que, pelo menos na UFC, os tais dessanilizadores a osmose reversa já são mencionados em pesquisas há mais de dez anos e, ainda assim, não existe tecnologia nacional de produzir estes equipamentos bastante simples. Basicamente, consiste de duas câmaras com água separadas por uma membrana semipermeável, ou seja, que permite a passagem de água e não permite a passagem de sais; assim, a água potável é forçada a passar através da membrana para uma das câmaras enquanto água com alta concentração de sais é retida na outra câmara, algo como um “filtro de sais”. O problema (ou desafio) está na dita membrana, cuja tecnologia de material só existe em poucos lugares do globo, tornando seu preço um tanto elevado.
Voltando ao laboratório, a idéia realmente interessante é utilizar energia solar para bombear a água que passa pelo dessalinizador. A aplicação para isso, especialmente no Ceará, é lógica e útil: criar estações de água autônomas em regiões remotas do estado. Para quem não lembra nada de geografia (eu lembro de pouca coisa) o problema da seca não é exatamente falta de água; além de haver uma estação chuvosa razoável, existe boa quantidade de água no subsolo; porém, esta água possui alta salinidade, sendo imprópria para consumo ou irrigação. A menos, é claro, que seja tratada. Já o uso de energia solar, mesmo com fama de energia cara, se justifica em localidades remotas, pois é mais viável que a instalação de uma longa rede elétrica com postes e fios. E, claro, a oferta de Sol de 3° a 4° da linha do Equador é inquestionável.
Mas por que o sistema todo continua caro? Quem pesa na conta é a bendita membrana. Por que é um produto raro, com pouco mercado? Não. Economia de escala não falta. Além de uns malucos que usam osmose reversa com água do mar para abastecer parque aquático e hotel seis estrelas no meio do deserto, aqui no Brasil, especialmente aqui no Ceará, existem grandes clientes das tais membranas: cervejarias. Motivo muito simples: uma boa cerveja se faz com uma boa água – talvez melhor do que a água que você bebe; como a água fornecida pela concessionária não é nada boa, osmose reversa nela! E o alto custo? O preço do equipamento em Dólar mais taxas e taxas de importação é pago por cada um dos milhões de litros vendidos.
Fica então o pensamento: estas cervejarias deveriam investir em pesquisa local, que a longo prazo iria reduzir o custo da osmose reversa; ou eles são burros ou são malvados estrangeiros que não gostam do Brasil e vêm aqui se apropriar do nosso pouco dinheiro. Ou talvez porque há dez anos se pesquisa sem sucesso algo que há dez anos já é feito no resto do mundo (algo como a caravela do Brasil 500 anos que não navegou no ano 2000...). Longo prazo no mercado se refere a meses, anos no máximo; nunca a décadas.
E qual é o problema da pesquisa no Brasil? Sinceramente, não sei... outro dia penso a respeito. Por que hoje fui visitar um laboratório da Universidade federal do Ceará que pesquisa um sistema dessanilizador de água por osmose reversa. Vi uns tubos com umas mangueirinhas.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Crônicas Eleitorais 1

Época de eleições, eis que surge um antigo problema: em quem vou votar? Dos candidatos a prefeito de Fortaleza, não vejo propostas que me afetem diretamente (para o bem ou para o mal). Pelo contrario, fico com a impressão de que temos um povo que quer do governo uma Mãe, dando casa comida e roupa lavada.
As propostas (ou promessas) são sobre saúde e habitação – gratuitas. Eu pago IPTU, taxa de iluminação pública (cobrada no boleto da Coelce, mas repassada a Prefeitura) e ainda tenho que pagar (caro) pelas duas coisas: um plano de saúde privado, que conta com espera de horas nas emergências, dias para marcar uma consulta e médicos, para dizer o mínimo, desmotivados; e pago um financiamento da Caixa de quase 20 anos por um apartamento onde uma porta só abre se a outra estiver fechada.
Por outro lado, algum dia no horário político assisti na TV a história de certa “comunidade”. Há alguns anos eles invadiram um matagal às margens de um rio – que se frise o termo: ‘invadiram’ - dito com naturalidade pela serena voz do narrador. Por muito tempo conviveram com lixo e falta de saneamento básico, além da distância até um posto de saúde; hoje, foram transferidos para um conjunto habitacional da prefeitura, com água, luz, esgoto, rua pavimentada, linha de ônibus, blá blá blá.. Que história feliz, não? Não! Eles invadiram o matagal, ninguém os convidou, muito menos obrigou a morar lá. Por anos, conviveram com o lixo e esgoto que eles mesmos produziram (meu esgoto vai para o sistema da Cagece, por isso pago a conta em dobro; o lixo é recolhido pela Ecofor, que já cobrou taxa cara para isso...). Além do mais, essa comunidade vivia na informalidade, não pagava IPTU, nem outras taxas e impostos. Por escolha própria moravam em barracos mal feitos, sem infra-estrutura, e ainda davam entrevistas dizendo “aqui a gente num temo nada”, mas na época de chuva e alagamentos diziam “nós perdeu tudo!” E repito, por escolha própria, pois não creio que surgiram lá por abiogênese.
Sei que meu discurso não é politicamente correto (posso ser morto por um comunista subversivo - Uhu!); mas também não é de todo egoísta. Apenas quero chegar a um ponto de equilíbrio na justiça dessa questão, mesmo levando em conta as oportunidades de cada grupo. Se eu fosse egoísta, votaria de olhos fechados em Adahil Barreto, pois é o único com propostas inteligentes sobre transito. Afinal, como já disse nesse blog, passo mais de duas horas por dia no carro e, além do estresse e do combustível (que ao contrário da passagem de ônibus não pára de subir de preço) todo ano tenho enorme prejuízo com suspensão e pneus graças à superfície lunar de nossas ruas, sem contar com o inevitável surgimento do som de Timbalada no rodar do meu carrinho ainda alienado à BV financeira.
O único tema certo que poderia nos aproximar de um equilíbrio é o menos citado, o menos discutido, e o menos prometido: Educação Básica. Caberia à prefeitura (e também ao estado, conforme lei) a responsabilidade de garantir Ensino Fundamental de qualidade, sem aprovações automáticas e analfabetismo na “nona série” (no meu tempo ainda não tinha essa...). E não só ensinar essas decorebagens de matemática, história comunista alienada, química e biologia; ensinar cidadania, ética, educação ambiental, convivência com trânsito, oratória, coisas que realmente mudam a qualificação da pessoa – ou alguém acha que o sujeito com nota 10 em física é “melhor” que o que tirou 7,5?
As pessoas carentes, com menos oportunidades merecem, sim, saúde e habitação gratuitas. Mas somente como cidadãos educados eles darão o devido valor a assistência recebida, retribuindo com esmero para um verdadeiro – e não demagógico – crescimento na qualidade de vida dos eleitores da cidade.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Trânsito - Mais um Caos

Em qualquer jornal, em qualquer revista, cedo ou tarde vai aparecer notícia sobre o caos do Trânsito em São Paulo. Bem, não moro lá (graças a Deus!), e nunca em Fortaleza registrou-se 200 km de congestionamento. Não por isso, guiar por aqui é algo prazeroso. Pelo contrário, reservo pelo menos duas horas do meu dia para gastar dentro do carro; e boa parte delas não será em movimento: de pequenas colisões e atropelamentos que poderiam ser evitados, motos ultrapassando pelos cantos mais estreitos e inusitados, imprudências e barbeiragens que lhe dão frio na espinha, lavadores de vidro a cada semáforo, que se repetem de 100 em 100 metros, a paciência se esvai e a raiva e mau humor se apoderam até do mais budista e equilibrado condutor. A perspectiva não é de melhora. Outro dia viajei para Barbalha, uns 560 km de Fortaleza, pela BR-116. E o que mais vi pelo caminho? Caminhões cegonha; filas e filas deles, trazendo aos montes carros que serão financiados em 60 meses, mas que em poucos dias irão abarrotar as ruas e avenidas mal planejadas de nossa cidade. Fora o outdoor de certa concessionária que sempre me dá calafrios: 3032 carros entregues em 2008 (e o número aumenta toda vez que passo lá!) Véspera de eleições, surgem as propostas mais interessantes - e as mais estapafúrdias! (leia notícia completa em http://www.opovo.com.br/opovo/politica/807114.html). Pessoalmente, prefiro torcer pelas interessantes - por mais que as outras me despertem risos. Primeiro, é preciso acabar com a "indústria das multas". Existe sim funcionalidade para fotossensores - principalmente em cruzamentos, onde motoristas teimam em parar sobre a faixa de pedestres, ônibus insistem em furar o sinal vermelho e motoqueiros avançam quando a perpendicular ainda está no amarelo (o encontro dos dois últimos volta e meia mata um deles). Entretanto, os radares de velocidade costumam ser hipócritas no limite que estabelecem, sendo respeitados somente nuns 200 metros mais próximos. Uma fiscalização menos eletrônica e mais humana certamente evitaria ultrapassagens arriscadas, retornos proibidos, conversões não sinalizadas... imprudências geralmente feitas com serenidade e - que se frise - com sobriedade. Além da fiscalização - que busca educar melhor o motorista - deve-se investir em dar ao condutor melhores condições de tráfego: viadutos, túneis, faixas exclusivas para ônibus, motos e bicicletas, construção de passarelas ou túneis para travessia de pedestres; tudo o que possa reduzir paradas desnecessárias, evitar cruzamento de fluxos, aumentar a segurança de todos que transitam, sempre será bem vindo. Por outro lado, impedir o trânsito de pessoas (rodízios, pedágios e proibições) é atitude opressora, repugnante; um atestado de burrice que certamente acabará sendo contornado pelo povo que - esperto e malicioso - sempre dá um jeitinho de solucionar o que lhe desagrada. Altos custos para tudo isso? Com certeza. Mas a cidade está crescendo (pelo menos em número de veículos). Sua economia deve, portanto, acompanhar o crescimento, aumentando assim a arrecadação dos cofres públicos. Este dinheiro (imagino) deverá ser usado para o bem estar do povo, garantido seu direito de ir e vir com segurança. Até lá, o jeito é continuar dirigindo ao som de new age.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O Ser Humano

Jovem torcedor do América-RN foi assassinado com um tiro na cabeça quando retornava para casa, num ônibus fretado pela torcida, após um jogo contra o Ceará realizado no estádio Castelão, em Fortaleza. O autor do disparo, supostamente vindo de um Gol azul, ainda é desconhecido.

Entidades muito representativas das quais não lembro o nome “investigam” o ocorrido; querem descobrir porque um menor de idade (17 anos) viajou para outro estado sem autorização dos pais; querem saber quem fretou o ônibus, quem era responsável pelos passageiros, porque escolheram aquele horário para volta, entre outras importantes questões que não me interessam. Por que para mim, só há um ponto a ser discutido: se não houvesse o disparo do revólver, não haveria ferido. Ainda assim, fico com a impressão de que descobrir a identidade do selvagem, criminoso e homicida que efetuou o disparo é o que menos importa para a sociedade.

Essa inversão de valores me faz lembrar um episódio menos recente; este, felizmente, sem vítimas fatais, quando o apresentador Luciano Huck teve seu Rolex tomado de assalto. Aproveitando seu espaço na mídia, escreveu uma carta de desabafo, repudiando o crime por ele sofrido. Muitos sujeitos que se julgam cultos encheram Huck de críticas, falando até numa suposta ‘justiça social’ que até hoje não fui capaz de compreender. Lembro-me apenas de um outro caso: há umas três semanas, roubaram a bicicleta do Seu Nonato, caseiro do meu sitio. Para mim, trata-se do mesmo caso: Luciano e Seu Nonato foram as vítimas e os bandidos foram bandidos, criminosos, pessoas que agiram fora da lei, tomaram posse de bem alheio para benefício próprio usando-se de ameaça e violência, e permanecem gozando da impunidade.

Voltando ao jovem torcedor, a situação é bastante clara: ele foi a vítima, o atirador é um criminoso. Nada mais há para ser discutido. Fale em rivalidade de torcidas, fale em ofensas trocadas pelo Orkut, qualquer coisa que se fale, nada justifica que um ser humano tire a vida de outro; nenhuma outra questão é importante.

Poderia encerrar aqui este texto mas, apenas por reflexão, gostaria de propor uma pergunta: entre matar e morrer, qual seria sua escolha? Pode usar a “legítima defesa” como justificativa para sua escolha, você teria o amparo da justiça, mas antes pense: se todos escolhessem morrer, não haveria mais homicídios.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

De novo!?

Vem aí a CSS, Contribuição Social para a Saúde. Bonito nome, não? Dá um ar de responsabilidade social ao contribuinte, sem dúvida bem melhor que CPMF, Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira. Até porque essa história de provisória que dura uns dez anos já não cola mais. Olhando de perto, porém, é a mesma coisa, que começa cobrando 0,1% sobre as movimentações financeiras e será destinado 100% à saúde, mas termina cobrando 0,38%, sendo que destes apenas 40% irão “salvar o caos da saúde pública”.
Mas por que um Governo com uma das maiores cargas tributárias do mundo quer criar mais um imposto? Por que um País que, só de janeiro a abril de 2008, arrecadou 221,5 bilhões de Reais, quer uma contribuição que irá somar, anualmente, mais R$ 10 bilhões? E, ainda assim, não resolve o caos da saúde, nem da educação, nem da segurança... Como pode haver tanto dinheiro e fazer tão pouco com ele?
Duas vertentes justificam a péssima gestão administrativa dos nossos governos. A primeira é a incompetência; apenas para ilustrar, sem citar nomes, um Presidente de certa Agência de uma Secretaria do Governo do Estado do Ceará estava preocupado a respeito de como iria levar “sua” apresentação (entre aspas, pois ele não sabe usar o Power Point) a um município vizinho, pois seria trabalhoso levar seu computador inteiro. Como ele nem sabia o que era um pen drive, seus assessores tiveram que gravar a apresentação num CD, e o convenceram que assim daria certo. É um elogio a esse Presidente dizer que lhe faltam conhecimentos em informática. Porém, quem sabe, depois que ele se aposente, alguém um pouco mais antenado nesse mundo pode substituí-lo – a incompetência tem solução.
A segunda vertente é a velha conhecida má vontade, companheira fiel de muitos funcionários públicos. Essa, infelizmente, parece não ter solução. Basta ver que nunca na história desse país houve tantos concursos públicos; mesmo assim a concorrência costuma ser alta, porque há muitas pessoas procurando um emprego fixo, estável, bem remunerado, de carga horária reduzida... enfim, procurando moleza. Não interessa o cargo, nem a função (vocação.. o que é isso mesmo!?), o que interessa mesmo é ganhar para não fazer nada. Ou, quem sabe, fazer uma greve de vez em quando. É de entristecer a quantidade de jovens recém-formados que se julgam incapazes (ou têm preguiça mesmo) de enfrentar o mercado de trabalho, de ingressar e trabalhar numa empresa privada, e recorrem ao concurso público como salvação – é como a bolsa família da classe média.
E assim o Brasil vai, gastando cada vez mais, fazendo cada vez menos... e quanto a nós, brasileiros, o que vamos fazer? Protestar? Sonegar? Ah, não sei... essas coisas de economia são muito chatas. Que tal uma praia no fim de semana?